domingo, 4 de fevereiro de 2018

Missão de Ocua - Chiure/Pemba - Moçambique

Caros amigos da Aparf, desde já vos quero agradecer por terem contribuído para a compra de uma viatura, que tanta falta nos fazia. Com esta viatura poderemos chegar a muitos mais doentes espalhados pelo mato. Muitos deles já não têm como chegar aos centros de saúde, quando estes existem, pois sabemos de casos muitos graves de mutilações. Assim com este meio estou certa que conseguiremos fazer um melhor acompanhamento destes casos. Um grande Bem-Hajam a todos vós.

Ao efectuar as visitas nas comunidades, onde iniciamos por fazer o diagnóstico a todos os doentes que iam aparecendo nos encontros deparei com todo o tipo de doentes. Numa dessas comunidades, mais precisamente na Zona de Napela, ao fazer o diagnóstico dos doentes que ali se encontravam houve um homem que se aproximou e disse que ele sabia que não tinha a doença mas a sua mulher que a tinha, então foi-lhe pedido que a fosse buscar. Qual não foi o meu espanto quando o vi aproximar com uma criança pela mão. A sua mulher tinha ido tratar da machamba, as nossas hortas aí de Portugal, e não a tinha encontrado, mas trazia a sua filha para lhe ser feito o diagnóstico. E assim foi feito. Ao levantar a camisola que trazia vestida deparei com uma pequena mancha nas costas e logo a seguir uma outra numa das pernas - o diagnóstico foi feito, a criança tem lepra! Fiquei eu própria surpreendida pois esta criança, de nome Palmira, tem apenas seis anos de idade! Eu própria não esperava encontrar em crianças tão pequenas... e penso mesmo que as pessoas hoje em dia acham que só acontece a pessoas já com uma certa idade. Para mim esta criança veio provar que não é bem assim.

No dia mundial dos leprosos fomos, eu, a Ir. Palmira e o enf. Saíde - responsável pelos doentes de lepra na Zona de Ocua e Chiúre, a essa mesma Zona de Napela, para sensibilizar as pessoas que ali vivem para esta doença. No final apareceram algumas pessoas para serem vistas, mas felizmente só duas delas é que tinham a doença. Também nesse dia se encontrava presente a pequena Palmira a qual me chamou imediatamente a atenção. O enfermeiro já estava a par da situação e imediatamente depois de também ele confirmar a doença, lhe administrou os primeiros medicamentos. Para mim foi a melhor celebração que o dia Mundial dos Leprosos poderia ter tido porque finalmente a pequena Palmira iniciou o seu tratamento e como a doença foi encontrada ainda no seu início, em seis meses será curada!

Sandra Figueiredo - Voluntária da APARF



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