sexta-feira, 30 de março de 2018

“… longe um arado prossegue no tumulto da incerteza…”

No dia em que pela primeira vez fiz o caminho de bicicleta de casa até à Missão pensei que aí estava simbolizado o desafio que sinto ser-me feito diariamente: queres chegar à Missão? Então percorre primeiro este caminho… E ao longo do percurso Ele vai-me presenteando com tudo o que preciso: o pão, o descanso, o amor, rostos e vidas concretas, “bom dia! Walale?”, o sol, a terra em todo o seu esplendor, a saúde, a Ana… e depois só me pede uma coisa: que ame! Ele que me ama infinitamente, pede-me que depois eu o faça tanto, ou tão bem, quanto me for possível em cada dia… tanto quanto maior for a minha capacidade de não aprisionar em mim todo o amor que me dá… E amanhã outra vez… E depois…

Não é fácil pôr por palavras tudo o que por aqui vou vivendo e experimentando. Sei que estou muito feliz por estar aqui e que hoje não queria estar em nenhum outro lado… Este povo irmão tão sofrido, a Comunidade das Irmãs tão provocadoramente “humana e divina”, a maravilha de poder partilhar esta experiência com a Ana, a ausência de tanta coisa conotada com o dito “mundo desenvolvido” e tantas outras pequenas grandes coisas são insistentemente uma feliz e diversa provocação…

Às vezes chego ao fim do dia muito cansado e a sentir que gostaria de ter um pouco mais de tempo livre para pensar/reflectir/integrar cada dia… mas sito também que no silêncio Ele me vai construindo. Obrigado, Ir. Júlia, por tudo quanto tem feito para que hoje pudéssemos estar aqui.

Muito unido,
Cubal, 
Pedro

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