sexta-feira, 4 de maio de 2018

O embondeiro

Caros Amigos não posso deixar de apreciar também a beleza que este País nos oferece.

 Por todo o Moçambique existe uma árvore grandiosa chamada embondeiro e claro, aqui em Ocua não é excepção. O embondeiro para quem não o conhece é uma árvore de grande estatura, a maior parte do tempo despida, sem folhas, o seu tronco de cor cinzenta é algo de extraordinário chegando a medir entre 10 a 15 metros de altura, pode chegar aos 8 metros de diâmetro e atingir 3.000 anos de vida. É realmente uma árvore majestosa e imponente.


Durante as visitas pelas comunidades deparámos com um embondeiro um pouco diferente. Mas o que tinha de tão especial este embondeiro? Nada mais nada menos do que uma grande abertura no meio - curioso! - Comentei. Foi então que me contaram a história daquele embondeiro e o que eu não sabia é que aquele embondeiro trazia com ele uma história de sofrimento que durante tantos anos assolou este povo.

Há muitos anos atrás, antes mesmo do tempo colonial neste país a lepra já martirizava este povo e não havendo qualquer tipo de medicamento o seu modo de erradicar a doença era isolar essas pessoas para que a doença não se propagasse. Ao longo da história temo-nos apercebido que isso foi feito um pouco por todo o mundo. Aqui não foi excepção, também o fizeram, mas de uma forma um pouco diferente. Os doentes eram levados para fora das aldeias e eram colocados dentro dos troncos dos embondeiros. Abriam grandes buracos no meio do seu tronco para entrarem e ali ficavam, seria como que um esconderijo para que ali pudessem viver sem que o resto da família ou aldeia viesse a sofrer do mesmo mal. Mas, ali eram deixados com apenas um saco de farinha para se alimentarem. Os que para lá os levavam diziam que voltariam mais tarde para lhes trazer água e mais alimentos. Mas essa água e esses alimentos nunca chegavam... e essas pessoas acabavam por morrer de sede e fome.

Poderia pensar-se inicialmente num simples afastamento para não prejudicarem os outros, mas a ideia desde o início do seu isolamento era exactamente essa, de morrerem isolados para que não contaminassem o resto da aldeia com aquela “maldição”.

Felizmente isto já não acontece nos nossos dias, existe um medicamento eficaz para a cura desta doença, sabemos que a sua forma de contágio é mínima e os doentes podem fazer esse tratamento em casa, junto com a família.

E hoje em dia estes buracos nos troncos dos embondeiros servem apenas de vivendas, armazéns e refúgio para muitos animais selvagens.

Sandra Figueiredo

* “Salama” – cumprimento mais usual em macua. 




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