sexta-feira, 9 de março de 2018

A história do Alfredo

O Alfredo é de Mahipa e já estive com ele várias vezes, mas foi a primeira que mais me impressionou. Encontrava-se de novo num estado completamente lastimável e o cheiro era insuportável. As suas feridas começaram de novo a abrir por falta de cuidados. Tomar banho não é com ele e nem mesmo vir ao posto fazer o penso. O penso deveria ser feito todos os dias mas ele só vem quando lhe apetece. As suas feridas parecem autênticas queimaduras, aliás quando fui revelar as fotos que lhe tirei, as pessoas perguntaram se seria queimadura, e ficaram bastante impressionadas quando a resposta foi – lepra. Não sei como é possível uma pessoa chegar a este ponto...

Sandra Figueiredo
(Voluntária APARF)



segunda-feira, 5 de março de 2018

Ainda Ocua...

No mês transacto comecei, com o enfermeiro, a distribuir medicamentos, calçado e sabão às comunidades que nos estão mais próximas. Por vezes aborrece-me ter de ficar à espera, mas não tenho outra alternativa se não aguardar que uma ou outra estrada esteja transitável ou que alguém decida acabar a construção de uma ou outra ponte iniciada, sabe-se lá quando!

Tirando esses pequenos contratempos, temos tido resultados bastante positivos.


Quando me refiro a resultados positivos estou a falar em relação à adesão das pessoas às concentrações. As concentrações iniciam-se com uma pequena palestra sobre a educação sanitária e de como é a evolução da doença. De seguida é feita a triagem dos doentes que são diagnosticados e, para além de alguns conselhos, é lhes dado o medicamento junto com uma barra de sabão para os casos mais mutilados. Entretanto comprei uma pequena mala de primeiros socorros, pois, em alguns, é necessário fazer pensos. Aqui o mais difícil de encontrar são: ligaduras, luvas e compressas.

Sandra Figueiredo
(Voluntária APARF)

sexta-feira, 2 de março de 2018

Missão de Ocua

Caros amigos da Aparf,

Quando efectuamos as visitas pelas comunidades vêm até nós várias pessoas, não só as que têm lepra, mas com todos os tipos de doenças, desde malária… claro que é para nós muito complicado e difícil dar assistência a todo um povo, mas não é uma situação que nos fica indiferente e vamos tentando fazer o melhor possível levando alguns medicamentos, sabão, e algumas palavras de esperança.

Temos tentado chegar ao maior número de comunidades possível, mas por vezes repletos de buracos que parecem autênticas crateras. Por isso muitas vezes, sempre que existe um centro de saúde perto, nos aconselhamos a irem lá.

Em algumas zonas, que são consideradas como sede, existem pequenos centros de saúde, assim os chamam! Têm tudo menos aspecto disso, a falta de medicamentos, de condições e de higiene fazem destes centros mais um posto de contágio de doenças do que de tratamento de doentes.

Ao visitarmos um destes centros e uma maternidade deparámos que se encontrava encerrado. Era sábado, mas curiosamente com as portas e janelas abertas.

Entrámos. Não se encontrava ninguém lá dentro. Deparámos imediatamente com um cheiro insuportável. Ao olharmos à nossa volta vimos a falta de higiene que tinha aquele local; o chão, as paredes e os materiais completamente sujos sem o mínimo de cuidado, parecia abandonado, e no entanto funciona “normalmente” durante a semana…

Partilho com vocês duas questões que me surgiram ao visitar este local: primeiro, como é possível tratar doentes num centro que se encontra assim? E em segundo, será que aqui não nascem crianças ao sábado? ...

Esta é a realidade de um povo que nasce, cresce e morre esquecido, sem o mínimo de assistência.

Sandra Figueiredo
(Voluntária APARF)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Relatório de Actividades do Projecto “Que Paz?” (1ª parte)

O Hospital de N. Srª da Paz, Missão Católica do Cubal, onde estivemos a desenvolver o projecto “Que Paz?” está organizado da seguinte forma:

- Banco de urgência – onde recorrem diariamente dezenas de adultos e crianças.

- Consulta externa – onde são efectuadas diariamente cerca de 100 consultas de clínica geral, pediatria, ginecologia- obstectrícia e cirurgia (1x/sem) e controlo pré-natal (2x/ sem).

Serviço de internamento com as suas diferentes áreas:
- Pediatria – 5 enfermarias de 15 camas cada (mais berços e macas quando necessário);
- Medicina interna Homens/Mulheres;
- Cirurgia;
- Isolamento – dois quartos para situações contagiosas ou que requerem a ausência de estímulos;
- Maternidade;
- Bloco operatório.
- Centro Nutrição Infantil – onde actualmente se encontram cerca de 80 crianças em tratamento da desnutrição e suas complicações.
- Centro anti-tuberculose Henrique de Ossó – onde são tratados actualmente cerca de 500 doentes com tuberculose, HIV/Sida e doenças oportunistas associadas.

Iniciamos o nosso projecto avaliando com a direcção do hospital (Irmãs Teresianas Teresa López, Milagros, Teresa Romero, Generosa) as necessidades relativamente a áreas do Hospital não cobertas pelos médicos já existentes. Ficou decidido que começaríamos por assumir a Pediatria, dado ser um serviço com uma elevada taxa de ocupação, que abrange um grupo alvo muito heterogéneo (RN a adolescentes) e com uma necessidade de assistência muito específica. Progressivamente, com o evoluir da nossa adaptação, assumimos outras áreas também carenciadas, substituindo a Irmã Milagros durante o seu período de férias em Espanha de Maio a Agosto. Em Agosto/Setembro durante as férias do casal de médicos russo a trabalhar no hospital assumimos ainda duas enfermarias de adultos.

As nossas actividades consistiram no organigrama seguinte:
- Horário de 2ª a 6ª das 7h30m – 16h30m e Sábado das 7h30m às 12h30m.

- Serviço de Pediatria – onde trabalhamos mais especificamente com as enfermarias de cuidados intensivos.

- Apoio à consulta externa – cada um de nós com um dia de consulta externa por semana (Ana 2ª, Pedro 3ª), onde fizemos consulta de clínica geral (engloba todo o tipo de doentes e patologias).

- Apoio ao Banco de Urgência – Sempre que solicitados pelos enfermeiros do banco de urgência para a observação de casos graves ou para o esclarecimento de dúvidas em situações mais complexas.

- Apoio ao CNI – as crianças em tratamento no centro de nutrição são observadas diariamente pelos enfermeiros do centro, cumprindo um protocolo estabelecido para a desnutrição. Todos os dias estes técnicos de enfermagem fazem o rastreio das crianças que irão necessitar de consulta médica. Qualquer um de nós passava diariamente no centro para fazer consultas às crianças previamente seleccionadas (com febre, infecções que não respondem aos tratamentos protocolados, diarreias graves, sem progressão ponderal, etc).

- Consultas de Medicina do Trabalho ao pessoal do Hospital – dado ter-se constatado que alguns trabalhadores teriam tuberculose e outras doenças, foi-nos proposto a elaboração de uma ficha de Medicina do Trabalho e posterior avaliação médica de todos os trabalhadores. Desenvolver esta actividade às 4ª e 5ª à tarde, observando cerca de 12 trabalhadores por semana.

- Colaboração na reformulação dos protocolos de avaliação diagnóstica e orientação terapêutica das patologias mais prevalentes na região (malária, infecções respiratórias, diarreias, doenças sexualmente transmissíveis, etc), que dado o volume de trabalho no hospital ficou por completar.

- No 4º Sábado de cada mês, realizamos uma sessão de formação/avaliação com a equipa de enfermagem de Pediatria com quem trabalhamos. Nesta sessão, além dos temas de formação, tentamos incentivar a avaliação (auto e de grupo) nas perspectivas técnica e motivacional, bem como a participação de alguns elementos das sessões.

- No mês de Julho iniciamos o acompanhamento semanal de um grupo de alcoólicos anónimos no centro de tuberculose. A Ana iniciou em Agosto consultas de psiquiatria para os membros do grupo A.A. ou outros que queriam iniciar um processo de desintoxicação/tratamento do alcoolismo.

- Mensalmente participamos numa reunião de médicos onde se discutem temas de interesse hospitalar.

- Colaboração em alguns serviços administrativos como a tradução e correcção de textos para projectos de financiamento para a instituição hospitalar.

Pedro Manuel Monteiro de Castro Silva (Dr.)
Ana Isabel Santos Marques (Dra.)


(continua...)


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O Projecto “Que Paz?” - Angola

À APARF

Tendo sido essa benemérita Associação uma das Entidades que mais contribuiu para a realização do nosso voluntariado de Abril a Dezembro, como médicos no Hospital de Nossa Senhora da Paz, no Cubal, Província de Benguela, Angola, confiado às Irmãs Teresianas, queremos enviar, ao mesmo tempo que o Relatório do que foi esse tempo dedicado aos mais pobres, a nossa saudação cheia de reconhecimento pelo apoio que nos foi dado.

O Projecto “Que Paz?” foi, na nossa opinião e das Irmãs que dirigem esta Obra, plenamente desenvolvido, levando o conforto e a paz a milhares de pessoas que passaram pelas nossas vidas e nos marcaram tão positivamente pelo que damos graças a Deus por esta possibilidade que nos foi dada e que plenificou as nossas vidas.

Já desde cá, sentimos a saudade daquelas pessoas, idosos, jovens e crianças que atendemos, minorando o seu sofrimento na medida das possibilidades que se avolumavam pela dedicação de quantos ali trabalhavam, embora com os escassos meios de que dispúnhamos.

Cremos que o nosso testemunho, parte deste relatório que corresponde a meio tempo da nossa estadia no Cubal, não diminuiu de intensidade no decorrer do restante tempo de permanência ali, o que nos levou a não o refazer.

Por razões injustificadas mas alegadas pela autoridade civil em relação aos nossos vistos que haviam sido cuidadosamente tratados, fomos sujeitos a multas e a antecipar o nosso regresso por uns dias. Um contratempo que nos doeu por momentos, já que tínhamos entre todos, trabalhadores e doentes, planeado viver o Natal no Cubal.

Como verão, também as Irmãs que nos acolheram contribuíram para a eficácia do projecto que levávamos. Com o seu apoio material, social e espiritual, foram para nós uma bênção.

Por tudo reiteramos à Associação o nosso agradecimento e desejamos que possa multiplicar a sua acção benfeitora a tantos jovens que se dispõem a correr a mesma aventura.
Pedro Manuel Monteiro de Castro Silva
Ana Isabel Santos Marques



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Missão de Murrupula - Nampula - Moçambique

Amigos da APARF, Sócios, Benfeitores, Colaboradores Anónimos,

Um ano terminou e outro começa; em meu nome pessoal e de todos aqueles aos quais de algum modo eu consigo levar e dar algo, o nosso “BEM HAJAM”.

Desejamos para todos vós um ano de paz, saúde, amor, fraternidade, rezamos a Deus pedindo-lhe as maiores bençãos e graças para todos vós, irmanados no grande mentor que foi e continua a ser Raoul Follereau.

Terminado que foi o ano e feito um resumo, transitam principalmente duas preocupações: 1ª - não ser fácil chegar àqueles doentes afectados dos membros principalmente pés, com feridas, consequências de não terem sido tratados ou em estado já crítico, para os quais a única coisa a fazer era trazê-los do seu “habitat” e proporcionar-lhes o bem-estar possível, tarefa difícil e que necessitava de grande envolvimento a vários níveis; 2ª - crianças desnutridas e idosos para não falar genericamente em fome e pobreza absoluta.

No programa ELAT/ELAL, os serviços de saúde têm esses voluntários mais junto das populações, são eles o pivôt de todo o processo, as populações são dispersas e são eles que vão verificando e alertando para os sinais de manchas, concentrando-as depois num local para serem então observadas. Estes voluntários “Activistas” recebem, quando calha, a participação de 50.000 meticais o que equivale a dois euros; alguns deles têm bicicleta que foram oferecidas aos Serviços de Saúde, são poucas e danificadas. Vendo o trabalho que estes activistas prestam à comunidade, um dos meios de os incentivar e estimular era proporcionar-lhes este rudimentar mas bastante útil, meio de transporte pois cada um na sua área percorre desde os 30 Kms a 70 e mais para contactar a população e levar o medicamento aos que faltam à concentração. Assim, tomo a liberdade e a ousadia de apelar à vossa generosidade para esta iniciativa de oferta de bicicletas, 500 euros que sejam, já se compram 10 ou 12 bicicletas, que tal? Vamos a isso? Bem hajam.

É mais um modo de ajudar no combate à Lepra. Junto uma foto dos remotos pontos de se chegar e como tal apoiar, mas há piores estados do que a foto apresenta.

Passando para outro capítulo menos pesado: Tive a oportunidade de visitar e conhecer a nossa amiga colaboradora e voluntária Sandra, em Ocua, está bem de saúde e alegre por ali estar, ainda não teve malária ao contrário da Guida (Mecubúri) que já repetiu 3ª dose; quanto a mim, graças a Deus, tenho sido de pedra, ferro e cimento, tive apenas uma crise de coluna que me imobilizou alguns dias.

Neste ponto do globo onde a lua não é falsa, o sol gira ao contrário, o relógio do tempo avança vertiginosamente, mas o relógio da vida parece ter parado uns 50 (cinquenta) anos atrás, nem tudo é mau, também acontecem coisas boas, como por exemplo consegui de um outro benfeitor doze bicicletas.

Fico por aqui, desejando a todos uma Santa Páscoa.
Grande abraço de todos para todos e um até breve.
Vosso amigo
Ângelo Bouça - Voluntário da APARF



domingo, 11 de fevereiro de 2018

Dia Mundial do Doente

Missão de Mecubúri - Nampula - Moçambique

11 de Fevereiro – Dia Mundial do Doente
10 de Fevereiro às 16h – Eucaristia do Doente no Hospital de Mecubúri

A Equipa da Pastoral da Saúde (Eu e  Ir. Cristina) sugeriu e a Equipa Missionária e a Directora do Hospital aceitaram. E assim pudemos fazer algo do diferente para marcar o Dia do Doente.

Preparámos tudo lá na Missão, as meninas do Lar ensaiaram os cânticos e prepararam molhos de lenha para o ofertório, a Ir. Delfina e o jovem Agostinho prepararam as leituras, o pessoal do Hospital escolheu uma sombra e lá prepararam o espaço.

De manhã afixei cartazes em português e em macua por todos os serviços. Às 15h visitámos os doentes hospitalizados a convidá-los para a Missa, quem podia levantar-se, ou a dizer-lhes que estaríamos a rezar por eles. As comunidades cristãs mais próximas também foram avisadas. E foi assim que pelas 16h iniciámos a Eucaristia, à sombra da mangueira e com cerca de 50 a 70 pessoas, entre Doentes, Enfermeiros, Serventes, a Direcção do Hospital, a Equipa Missionária e muitos Cristãos que quiseram ser solidários e rezar com e pelos doentes.

Foi uma iniciativa que todos gostaram, os Doentes principalmente, pois ficaram a saber que têm um dia próprio para eles.

A Direcção Distrital da Saúde até pediu para repetirmos noutros anos.

No final visitámos novamente todos os doentes hospitalizados para lhes entregar um postal com uma frase consoladora, um pacote de açúcar e uma barra de sabão.

Os doentes agradeceram muito e isso podia perceber-se também no seu sorriso e nos olhos a brilhar.

Ana Margarida – Voluntária APARF



domingo, 4 de fevereiro de 2018

Missão de Ocua - Chiure/Pemba - Moçambique

Caros amigos da Aparf, desde já vos quero agradecer por terem contribuído para a compra de uma viatura, que tanta falta nos fazia. Com esta viatura poderemos chegar a muitos mais doentes espalhados pelo mato. Muitos deles já não têm como chegar aos centros de saúde, quando estes existem, pois sabemos de casos muitos graves de mutilações. Assim com este meio estou certa que conseguiremos fazer um melhor acompanhamento destes casos. Um grande Bem-Hajam a todos vós.

Ao efectuar as visitas nas comunidades, onde iniciamos por fazer o diagnóstico a todos os doentes que iam aparecendo nos encontros deparei com todo o tipo de doentes. Numa dessas comunidades, mais precisamente na Zona de Napela, ao fazer o diagnóstico dos doentes que ali se encontravam houve um homem que se aproximou e disse que ele sabia que não tinha a doença mas a sua mulher que a tinha, então foi-lhe pedido que a fosse buscar. Qual não foi o meu espanto quando o vi aproximar com uma criança pela mão. A sua mulher tinha ido tratar da machamba, as nossas hortas aí de Portugal, e não a tinha encontrado, mas trazia a sua filha para lhe ser feito o diagnóstico. E assim foi feito. Ao levantar a camisola que trazia vestida deparei com uma pequena mancha nas costas e logo a seguir uma outra numa das pernas - o diagnóstico foi feito, a criança tem lepra! Fiquei eu própria surpreendida pois esta criança, de nome Palmira, tem apenas seis anos de idade! Eu própria não esperava encontrar em crianças tão pequenas... e penso mesmo que as pessoas hoje em dia acham que só acontece a pessoas já com uma certa idade. Para mim esta criança veio provar que não é bem assim.

No dia mundial dos leprosos fomos, eu, a Ir. Palmira e o enf. Saíde - responsável pelos doentes de lepra na Zona de Ocua e Chiúre, a essa mesma Zona de Napela, para sensibilizar as pessoas que ali vivem para esta doença. No final apareceram algumas pessoas para serem vistas, mas felizmente só duas delas é que tinham a doença. Também nesse dia se encontrava presente a pequena Palmira a qual me chamou imediatamente a atenção. O enfermeiro já estava a par da situação e imediatamente depois de também ele confirmar a doença, lhe administrou os primeiros medicamentos. Para mim foi a melhor celebração que o dia Mundial dos Leprosos poderia ter tido porque finalmente a pequena Palmira iniciou o seu tratamento e como a doença foi encontrada ainda no seu início, em seis meses será curada!

Sandra Figueiredo - Voluntária da APARF



quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Testemunha de um doente

Eu comecei com o tratamento de lepra. Esta doença, no início, não me preocupou, eu pensava que não era nada. Mas as pessoas disseram que eu tinha lepra, que estas manchas eram próprias da lepra. Eu não conhecia nada isso, só ouvi falar de lepra mas nunca me interessei. Aqui na minha aldeia várias pessoas têm esta doença por isso cada mês vem o enfermeiro explica sempre que logo que começamos a tomar os medicamentos a doença pára, não vai continuando no nosso corpo. Os medicamentos que recebemos não se pagam, isso nos ajuda muito porque não podemos pagar. Também conforme me disse o enfermeiro, lá em casa, sempre controlamos as nossas crianças para ver se têm manchas. Ainda não sei onde apanhei esta doença, pois sou a única da minha família, mas agora as manchas já estão a desaparecer.

Doente de Lepra

Concentração de doentes de lepra que esperam consulta

domingo, 28 de janeiro de 2018

Dia Mundial dos Leprosos

"No Dia Mundial dos Leprosos houve dupla festa em Mepapa – por um lado, passagem da Maratona 2000, que como é óbvio, escolheu Mepapa para esse dia; por outro lado a Direcção Distrital de Saúde (de Lichinga) também escolheu Mepapa nesse dia. Claro que eu estive presente e participei dos 2 lados, aliás dos 3 lados – Maratona + D.D.S. e do lado dos nossos doentes, sentada no chão ao lado deles (e no meio deles), incitando-os a participar quanto a sua condição física lhes permita."

Ana Maria (Voluntária da APARF ao serviço dos Leprosos)